segunda-feira, 21 de novembro de 2011

INTRODUÇÃO

Parte da dissertação "Do Passado ao Futuro dos Moradores Tradicionais da Estação Ecológica Juréia-Itatins/SP" de Marcia Nunes. (2003)

Estação Ecológica Juréia-Itatins. Tem como principais objetivos a busca pelo direito de permanência dos moradores local, preservando suas atividades tradicionais, bem como lutar pela melhoria das condições de vida em suas terras e de seus antepassados. Busca também o resgate da cultura tradicional caiçara, que inclui festas, mutirões, danças e artesanato. Quando a tradição cultural interiorizada é rompida por agentes externos à vontade do grupo, fica neste um sentimento de “perdidão”, de desamparo. Os homens passam a viver num espaço que não reconhecem como seu e não se encontram na nova sociedade: tornam-se um cidadão do vazio.
Os grupos sociais que são deslocados do seu lugar de origem acabam sobrevivendo pela inércia da vida que precisa continuar a ser vivida, porém relatam sempre a “sensação de vazio”, de tristeza e de melancolia, que emerge da perda da identidade. A necessidade das sociedades modernas de preservar espaços naturais lúdicos, aprazíveis, está ligada às crenças do homem como destruidor. O homem na voracidade de acumular riquezas, de expandir seu domínio sobre outros povos, foi impiedosamente degradando o meio natural. 
Os próprios moradores do Vale ressaltam em suas falas a enorme influência que receberam dos povos indígenas da região, quando não os citam como seus antepassados diretos. Apesar do reduzido número de registros documentais sobre os povos pré-colonização européia, seus hábitos e costumes fazem parte da vida dos habitantes do Estado de São Paulo em geral. 
Entre os moradores da costa sudeste e sul do Brasil, a proximidade do modo de vida indígena, dos instrumentos de trabalho, da forma de se relacionar com a natureza e dela retirar seu sustento, é ainda maior.  Em “Os parceiros do Rio Bonito”, publicado em 1964, Antonio Cândido relata aspectos da vida dos caipiras de São Paulo. Podemos dizer que o caipira é o caiçara que transpôs a Serra  do Mar e foi viver no planalto. Apesar de diferenciados pelos espaços que ocupavam (litoral e interior do estado), viviam basicamente da caça, da coleta, da roça, da agricultura itinerante e da pesca. Isso nos faz pensar que as semelhanças entre caiçaras e caipiras advenham da profunda influência dos indígenas que habitaram tanto o litoral como o interior. 

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